Idosa com câncer tem alta após ser internada com Covid-19 e diz à família que ainda tem ‘missão a cumprir’

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Maria Olímpia, de 65 anos, teve Covid-19 e tirou foto com as médicas que a acompanharam, no dia da alta — Foto: Reprodução/TV Globo

Por G1 PE

A garra por lutar pela vida demonstrada por Maria Olímpia, de 65 anos, comoveu médicos e família. A idosa faz tratamento contra câncer e tem metástase no cérebro e pulmão, segundo a família, e foi diagnosticada com o novo coronavírus. Transferida no dia 1º de maio para o Hospital Provisório do Recife dos Coelhos, região central da capital, ela teve alta na terça-feira (12).

Filha da idosa, a coordenadora de pessoal Dulce Campelo, de 36 anos, contou que a mãe ainda está debilitada, mas deu uma lição ao chegar em casa. “Ela disse que ainda tem a missão dela aqui na Terra. Que ela ainda tem uma missão a cumprir conosco”, relatou Dulce.

Há oito anos, Maria Olímpia venceu um tumor ósseo. Quatro anos depois, foi diagnosticada com câncer no ovário e no pulmão. Passou por cirurgia, mas ainda luta contra os tumores, segundo a filha. “Ela tem metástase no pulmão, que era a maior preocupação da gente quando soube do coronavírus”, lembrou Dulce, apontando que a mãe também tem metástase no cérebro.

Antes de chegar ao hospital provisório, Maria Dulce esteve na UTI do hospital Dom Pedro II, também no bairro dos Coelhos. Segundo a filha, foram 15 dias de internamento devido à Covid-19. A alta hospitalar trouxe mais esperança para a família.

“Para a gente, [a alta] é o sentido de que Deus existe, por tudo que ela passou. A força dela nos inspira todos os dias”, afirmou a filha.

As médicas Valéria Lafayette e Lilian Neves acompanharam na enfermaria do hospital a recuperação da idosa. “Maria Olímpia é uma daquelas pacientes que te marcam, que marca a sua vida profissional. Vem lutando contra esse câncer, que já tem metástases, mas ela nunca desistiu. Continua lutando contra esse câncer”, disse Valéria Lafayette.

Apesar de debilitada pela Covid-19, seguiu lutando. “Ela fez uma pneumonia, precisou de oxigênio, mas foi melhorando, colaborando com toda a equipe de fisioterapia. Acreditamos que esse diferencial, de se aproximar mais dos pacientes, tem efeito no tratamento”, contou Valéria.

“Ela encarou muito bem a doença, mesmo estando isolado da família, ela teve um comportamento, uma atitude surpreendente. Lógico, havia momentos que ela se emocionava. É muito recompensador quando a gente consegue recuperar pacientes e conseguir dar alta”, afirmou a médica Lilian Neves.

A filha da idosa também teve sintomas de Covid-19 e fez exames, mas ainda não recebeu o diagnóstico. Segundo ela, outros parentes que se revezavam cuidando de Maria Olímpia também tiveram sintomas da doença, mas o diagnóstico não foi fechado.

Coronavírus em Pernambuco

Mais 67 óbitos e 592 casos da Covid-19 foram confirmados em Pernambuco na quarta-feira (13). Com isso, desde março até essa data, o estado contabilizou 1.224 mortes e 14.901 confirmações dessa doença causada pelo novo coronavírus. O estando conta, ainda, com 2.600 curas da doença.

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