Vacina contra o novo coronavírus é meta de pesquisa executada por cientistas da USP e do Incor

Por Carolina Dantas, G1 Pesquisadores do Brasil estão desenvolvendo uma vacina contra o novo coronav√≠rus (Sars-Cov-2), o v√≠rus respons√°vel pela doença Covid-19. O modelo...

Por João Paulo Pereira em 15/03/2020 às 21:44:16

Por Carolina Dantas, G1

Pesquisadores do Brasil estão desenvolvendo uma vacina contra o novo coronav√≠rus (Sars-Cov-2), o v√≠rus respons√°vel pela doença Covid-19. O modelo √© diferente do empregado em projetos por pesquisadores de outros pa√≠ses, e tem perspectiva de testes em animais nos próximos meses.

O projeto √© liderado por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pelo Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor). A pesquisa √© financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Gustavo Cabral √© imunologista pela USP e pós-doutor pela Universidade Oxford, na Inglaterra, e na Universidade de Berna, na Su√≠ça. Ele voltou ao Brasil faz menos de dois meses a convite de Jorge Kalil, diretor do laboratório do Incor.

"Voltei e realmente estou impressionado. O nosso laboratório não perde em nada para o de Oxford", disse Cabral.

O grupo escolhido por Kalil e que trabalha com Cabral est√° arquitetando um modelo de vacina com base na plataforma Part√≠culas Semelhantes ao V√≠rus (VLP, sigla em ingl√™s). A estrutura viral do Sars-Cov-2 √© utilizada sem o risco de duplicação do material gen√©tico (RNA).

As part√≠culas usadas na vacina são induzidas a carregar fragmentos do novo coronav√≠rus e, assim, gerar uma resposta do corpo humano com segurança.

"Nós pegamos a estrutura geral e inclu√≠mos nessa part√≠cula outra partes do coronav√≠rus. O corpo acha que √© algo invasor, algo perigoso, e gera uma resposta imunológica", explica o pesquisador, que tamb√©m pesquisa estrat√©gias para o chikungunuya e para as bact√©rias Streptococcus.

Os cientistas brasileiros acreditam que o modelo escolhido dever√° ser mais eficiente do que o produzido em outros lugares que utilizam vacinas baseadas fundamentalmente em mRNAm (RNA mensageiro). De acordo com Cabral, esse modelo deve demorar mais tempo e leva em conta uma multiplicidade de fatores que faz com que muitas vezes a vacina obtida não seja eficaz.

H√° desenvolvimento de vacinas em andamento nos Estados Unidos, na Alemanha, na Austr√°lia e na China.

Testes em animais

Cabral elogia a iniciativa das pesquisadoras brasileiras em sequenciar em tempo recorde (48 horas) o código gen√©tico do Sars-Cov-2. Segundo ele, os estudos para criar uma vacina não seriam poss√≠vel sem esse trabalho anterior. A equipe prev√™ que nos próximos meses sejam iniciados os testes em animais.

"Espero nos próximos meses fazer experimentos e, em cima disso, delinear novos modelos com o v√≠rus. A gente vai precisar de pelo menos 6 meses e depois, em uma outra etapa, utilizar em humanos".

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