Plasma de recuperados da Covid-19 ser√° usado para tratar pacientes graves em Pernambuco

Por Fabio Nóbrega - Folha de Pernambuco Pesquisadores de todo o mundo empreendem uma corrida contra o tempo em busca de uma vacina ou medicamento eficaz para tratar a Covid-19,...

Por João Paulo Pereira em 29/06/2020 às 15:18:31
Por Fabio N√≥brega - Folha de PernambucoPesquisadores de todo o mundo empreendem uma corrida contra o tempo em busca de uma vacina ou medicamento eficaz para tratar a Covid-19, doença que j√° tirou a vida de mais de meio milhão de pessoas. Um dos tratamentos experimentais √© o uso do plasma, a parte l√≠quida do sangue, de quem foi infectado pelo novo coronav√≠rus. Quem se cura da infecção por Sars-CoV-2 desenvolve anticorpos que podem ajudar na recuperação daqueles pacientes em estado mais grave. Os m√©dicos esperam que os infectados que recebem o plasma tenham uma recuperação mais r√°pida, um menor tempo de internação e um risco menor de morte. Um grupo de pesquisadores pernambucanos, liderado pelo infectologista e professor da Universidade de Pernambuco (UPE) Dem√≥crito Miranda Filho, começa na pr√≥xima quarta-feira (1¬ļ) estudos com a transfusão de plasma. Primeiramente, serão coletadas 300 amostras de 250 mL cada de plasma de doadores, que devem ser homens com idades entre 18 e 69 anos, recuperados da doença h√° mais de 30 dias e que possuam um exame laboratorial que confirme a infecção por Covid-19. O cadastro ser√° disponibilizado no site do Hemope e poder√° ser tamb√©m feito pelo telefone 0800.081.1535. Os poss√≠veis doadores deverão preencher um formul√°rio, o que pode ser feito tanto na p√°gina, quanto na ida para a coleta. Existe uma regulamentação que versa sobre o uso de plasma de mulheres em procedimentos do tipo. "Mulheres que j√° engravidaram podem ter no sangue alguns anticorpos que podem causar uma reação que não √© desej√°vel. Existe uma regra geral de não se usar plasma de mulher para qualquer procedimento", explica Dem√©trio. De acordo com o infectologista, a t√©cnica de transfusão de plasma j√° foi usada em outras doenças no passado, quando não haviam tratamentos mais eficazes, inclusive com infecções respirat√≥rias, como a Covid-19. "H√° essa fundamentação de que no plasma de uma pessoa que passou recentemente por uma doença h√° anticorpos, porque produzimos anticorpos contra o v√≠rus. Acreditamos que, quanto mais recente em relação à infecção, maior a chance de ter uma quantidade maior de anticorpos que podem ser eficazes contra o v√≠rus. Nos baseamos nessa informação. Os anticorpos podem at√© não ser eficazes, mas existe uma base te√≥rica que fundamenta isso", detalha o infectologista. Apesar de não haver a doação de plasma de mulheres, pacientes de ambos os g√™neros receberão a transfusão. O estudo ser√° feito com pacientes internados em estado grave no Hospital Universit√°rio Oswaldo Cruz (Huoc), no Pronto-Socorro Cardiol√≥gico de Pernambuco (Procape) e no Hospital das Cl√≠nicas (HC), todos no Recife. Serão 110 pacientes inclu√≠dos no grupo que vai usar plasma e outros 110 no grupo-controle, o grupo que ser√° comparado. "A coleta de doadores começa na quarta-feira. Na segunda quinzena de julho devemos começar o estudo de campo nos hospitais", pontua Dem√≥crito.ResultadosAinda não h√° resultados sobre o uso do plasma sangu√≠neo em outros pacientes pelo mundo, segundo Dem√©trio. H√° alguns relatos de casos na China, logo no começo da pandemia, mas com um grupo de pacientes reduzido. "Existem dois tipos de estudos que usamos na ci√™ncia para refer√™ncia. [Na China] usaram 10 pacientes e relataram que esses pacientes graves se sa√≠ram bem, mas não h√° um grupo de comparação. Quando não h√° um grupo de comparação voc√™ não pode dizer que √© um tratamento melhor que o outro", esclarece o infectologista. Ap√≥s os relatos, são indicados os ensaios cl√≠nicos, como o que ser√° feito em Pernambuco. Nessa modalidade, os estudos seguem um protocolo espec√≠fico, no qual se comparam dois grupos: um no qual √© feita a intervenção - nesse caso, com o plasma - e outro com uma comparação para refer√™ncia, que pode ser, por exemplo, o tratamento padrão j√° feito pelo hospital. "No fim, voc√™ compara os dois grupos e analisa quem se beneficiou mais no tratamento. Então voc√™ tem como afirmar se a intervenção que voc√™ est√° propondo √© superior ao tratamento. √Č o que vamos fazer agora", conclui Dem√≥crito.
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