Mortalidade materna por covid-19 é 2,5 vezes maior que taxa nacional

Por Léo Rodrigues - Repórter da Agência Brasil A taxa de mortalidade da covid-19 entre mulheres grávidas e puérperas é de 7,2% no Brasil. Trata-se de um percentual é 2,5...

Por João Paulo Pereira em 26/06/2021 às 07:51:19

Por Léo Rodrigues - Repórter da Agência Brasil

A taxa de mortalidade da covid-19 entre mulheres gr√°vidas e pu√©rperas √© de 7,2% no Brasil. Trata-se de um percentual √© 2,5 vezes maior que a taxa nacional de 2,8%. O dado consta no novo boletim editado pelo Observat√≥rio Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e divulgado nesta sexta-feira (25). Segundo o relat√≥rio assinado por pesquisadores e epidemiologistas da instituição cient√≠fica, o Brasil √© o pa√≠s com o maior n√ļmero de mortes maternas causadas pela covid-19.O boletim coloca as gestantes e pu√©rperas como um grupo de preocupação que deve ser priorizado na vacinação, diante da evolução da morte materna a n√≠veis extremamente elevados. Em 2020, o pa√≠s relatou 560 √≥bitos pela covid-19 entre esse p√ļblico. Em 2021, j√° são 1.156, mais do que o dobro do ano anterior. No m√™s passado, a Organização Pan-Americana da Sa√ļde (Opas) j√° havia divulgado um estudo no qual se constatou um aumento nas mortes de gestantes e pu√©rperas em 12 pa√≠ses desde o in√≠cio da pandemia. "Partimos do pressuposto de que este cen√°rio est√° relacionado às alterações morfol√≥gicas da gestante, quando ocorre uma alteração das estruturas circulat√≥rias para atender à demanda de crescimento fetal", registra o boletim. Em uma edição anterior, os epidemiologistas da Fiocruz j√° haviam alertado para os riscos de gestantes, sobretudo aquelas que estão em torno de 32 ou 33 semanas de gravidez, evolu√≠rem para formas graves da covid-19 com descompensação respirat√≥ria. A vacinação priorit√°ria das gr√°vidas e pu√©rperas havia sido orientada pelo Minist√©rio da Sa√ļde no final de abril. No entanto, a pasta voltou atr√°s no in√≠cio de maio, quando foi notificada de um caso suspeito de reações adversas: uma gestante desenvolveu um grave acidente vascular cerebral e morreu depois de receber a vacina desenvolvida pela Astrazeneca/Oxford. O Minist√©rio da Sa√ļde abriu investigação sobre o caso e determinou preventivamente a suspensão da vacinação de gr√°vidas sem comorbidades. Manteve-se assim apenas o atendimento às gestantes e pu√©rperas com doenças preexistentes listadas no Plano Nacional de Imunização (PNI). Nesses casos, s√≥ deveriam ser usadas outras duas vacinas aprovadas: Coronavac e Pfizer. Em muitas cidades e estados, no entanto, a imunização para gestantes e pu√©rperas sem comorbidades foi retomada posteriormente por decisão das autoridades locais. Em São Paulo, por exemplo, esse p√ļblico voltou a ser atendido no dia 7 de junho. J√° no Rio de Janeiro, isso ocorreu apenas no in√≠cio dessa semana. Em Manaus, a vacinação foi retomada no fim do m√™s passado por ordem judicial em uma ação movida pelo Minist√©rio P√ļblico Federal (MPF). No cen√°rio atual, não h√° um tratamento homog√™neo no pa√≠s e cada estado tem lidado com a situação de uma forma diferente. O atendimento de gestantes e pu√©rperas no PNI foi pauta de uma reunião da C√Ęmara T√©cnica Assessora em Imunizações realizada na √ļltima sexta-feira (18), segundo informou o Minist√©rio da Sa√ļde ao Supremo Tribunal Federal (STF), no √Ęmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 846. A pasta, no entanto, ainda não divulgou nenhuma nova recomendação. Para os pesquisadores e epidemiologistas da Fiocruz, as gr√°vidas e pu√©rperas devem ser consideradas como um grupo de risco independente de comorbidades. Eles sugerem medidas variadas para frear a evolução dos √≥bitos, como qualificação das consultas de pr√©-natal, incentivando medidas de dist√Ęncia f√≠sica, e realização de testes para admissão nas maternidades. "Consideramos fundamental acelerar a vacinação de todas as gestantes e pu√©rperas no est√°gio atual da pandemia", reitera o boletim.

Panorama

O boletim do Observat√≥rio Covid-19 da Fiocruz oferece um panorama geral do cen√°rio epidemiol√≥gico reunindo indicadores-chave para o monitoramento da pandemia nos estados e no Distrito Federal. Al√©m dos dados da mortalidade materna, a nova edição agrega informações sobre transmissão comunit√°ria, perfil demogr√°fico dos casos internações e √≥bitos, ocupação de leitos, avanço da vacinação, entre outros. O atual relat√≥rio √© o primeiro ap√≥s o Brasil superar a marca de 500 mil mortes pela covid-19 e re√ļne informações do per√≠odo entre 13 e 19 de junho de 2021. Os dados mostraram que a transmissão comunit√°ria permanece em n√≠veis extremamente elevados em quase todos os estados. As √ļnicas exceções são Esp√≠rito Santo e Maranhão, cujos n√≠veis estão classificados como muito altos. Por outro lado, as taxas de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivas para a covid-19 apresentaram melhora em boa parte do pa√≠s. √Č o melhor quadro desde o fim de fevereiro, embora ainda estejam na zona de alerta cr√≠tico o Distrito Federal e 14 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paran√°, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goi√°s, Tocantins, Amap√°, Maranhão, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Cear√°.

Perfil

Nas √ļltimas semanas, tem havido uma mudança no perfil dos pacientes que demandam leitos, com um percentual maior de faixas et√°rias mais jovens. Segundo a an√°lise, trata-se de um reflexo da redução da contaminação entre os idosos em decorr√™ncia do efeito da vacinação. O Brasil possui uma taxa de 2.364 mortes por milhão, 4,7 vezes mais que a m√©dia global. "O resultado brasileiro foi o pior dentro do grupo de pa√≠ses grandes em termos populacionais. Com cerca de 2,7% da população do mundo, o Brasil contabiliza desde junho cerca de 10% do total de casos registrados no mundo, atingindo em alguns per√≠odos mais de 15% dos casos da doença", registra o boletim. Os pesquisadores apontam que o enfrentamento à pandemia demanda uma combinação de medidas não-farmacol√≥gicas, ações relacionadas ao sistema de sa√ļde e pol√≠ticas sociais. Eles recomendam distribuição de m√°scaras, aprimoramento de gestão para evitar desabastecimento de medicamentos e insumos, manutenção de aux√≠lio financeiros às populações mais vulner√°veis. Al√©m disso, indicam maior rigor na restrição das atividades não essenciais, principalmente onde a ocupação de leitos se encontra acima de 85%. Esses medidas envolveriam a proibição de eventos e de atividades presenciais de educação, o fechamentos das praias e bares, a adoção de trabalho remoto sempre que poss√≠vel, a instituição de barreiras sanit√°rias em aeroportos e rodovi√°rias, a ampliação da testagem, entre outras.
Comunicar erro

Coment√°rios