Pesquisa avalia sequelas da covid-19 na população brasileira

O Ministério da Saúde iniciou nesta segunda-feira (1 em 1331) a segunda fase da coleta de dados de um estudo de base populacional sobre a covid-19 no Brasil.

Por Edvaldo Campos em 12/03/2024 às 09:55:07

O Ministério da SaĂșde iniciou nesta segunda-feira (1 em 1331) a segunda fase da coleta de dados de um estudo de base populacional sobre a covid-19 no Brasil. Durante o mĂȘs de março, serão realizadas visitas domiciliares a 33.250 pessoas que tiveram a doença e que residem em 133 municĂ­pios brasileiros. O objetivo, segundo a pasta, é levantar dados para subsidiar a criação de polĂ­ticas pĂșblicas direcionadas ao tratamento das chamadas condições pós-covid ou covid longa, classificadas como sequelas da doença.

O estudo, denominado Epicovid 2.0: Inquérito nacional para avaliação da real dimensão da pandemia de Covid-19 no Brasil, é coordenado pela Secretaria de Vigilância em SaĂșde e Ambiente e encomendado à Universidade Federal de Pelotas. Em nota, o ministério destacou, até o momento, não existem estimativas nacionais sobre o impacto da doença a longo prazo. Dados da Organização Mundial da SaĂșde (OMS) apontam que 20% das pessoas infectadas, independentemente da gravidade do quadro, desenvolvem condições pós-covid.

A expectativa do ministério é que o perĂ­odo de coleta dos dados dure entre 15 e 20 dias. A pesquisa usarĂĄ informações de 250 cidadãos de cada um dos municĂ­pios selecionados que jĂĄ fizeram parte das quatro rodadas anteriores do trabalho cientĂ­fico, em 2020 e 2021. Para isso, equipes de entrevistadores visitarão as residĂȘncias para ouvir os moradores sobre questões centradas em pontos como vacinação, histórico de infecção, sintomas de longa duração e efeitos da doença sobre o cotidiano.

"Todos os participantes serão selecionados de forma aleatória, por sorteio. Somente uma pessoa por residĂȘncia responderĂĄ ao questionĂĄrio", destacou a pasta, ao citar que, diferentemente das primeiras etapas do estudo, na fase atual, não haverĂĄ qualquer tipo de coleta de sangue ou outro teste de covid. Também participam da pesquisa a Universidade Católica de Pelotas, a Universidade Federal de CiĂȘncias da SaĂșde de Porto Alegre, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Fundação GetĂșlio Vargas (FGV).

Entrevistadores identificados

Todas as entrevistas serão realizadas pela empresa LGA Assessoria Empresarial, contratada pelo ministério. "Os profissionais que farão o contato direto com os moradores para a coleta dos dados receberam treinamento e estarão devidamente identificados com crachĂĄs da empresa e coletes brancos com as marcas da UFPel, da Fundação Delfim Mendes Silveira (FDMS) e da LGA", destacou a pasta.

Para auxiliar com o processo de divulgação e esclarecimento da população, as prefeituras das 133 cidades envolvidas no estudo foram comunicadas do trabalho – por meio de suas secretarias municipais de SaĂșde – e participaram de reunião online com o epidemiologista Pedro Halla, coordenador da pesquisa, e integrantes do ministério. A orientação é que, em caso de dĂșvidas, os moradores entrem em contato com as prefeituras.

A empresa LGA também pode ser acionada através dos telefones (31) 3335-1777 e (31) 99351-2430. Informações sobre o Epicovid 2.0 também estão disponĂ­veis nos sites do Ministério da SaĂșde e da Universidade Federal de Pelotas.

Primeiras fases

Entre 2020 e 2021, o Epicovid-19 serviu para traçar um retrato da pandemia que auxiliou cientistas e autoridades em saĂșde pĂșblica a compreender melhor os efeitos e a disseminação do vĂ­rus no Brasil. Entre as principais conclusões, o estudo apontou que a quantidade de pessoas infectadas naquele momento era trĂȘs vezes maior que os dados oficiais, com os 20% mais pobres tendo o dobro de risco de infecção em relação aos 20% mais ricos.

Memorial

Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da SaĂșde (OMS) classificava o cenĂĄrio de covid-19 no mundo como uma pandemia. Quatro anos depois, também nesta segunda-feira, o Ministério da SaĂșde anunciou a criação de um memorial às vĂ­timas da doença que matou 710 mil brasileiros. O local escolhido, de acordo com a ministra da SaĂșde, NĂ­sia Trindade, é o Centro Cultural do Ministério da SaĂșde no Rio de Janeiro.

"Ao falarmos de um memorial e de uma polĂ­tica de memória, porque é isso que estamos propondo, não circunscrevemos a pandemia de covid-19 ao passado. Como todas as reflexões sobre memória, sabemos do componente presente, polĂ­tico, das ações de memória. E, ao mesmo tempo, lembramos que, a despeito de termos superado a emergĂȘncia sanitĂĄria, nós não superamos a covid-19 como problema de saĂșde pĂșblica".

Fonte: AgĂȘncia Brasil

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